sexta-feira, 8 de abril de 2011

Baboseiras sobre a tragédia carioca

Quando eu era piá, morria de medo de um cara chamado Osama Bin Laden. Sentia algo próximo do pânico a cada vez que pensava na possibilidade de estar em um hospital que, repentinamente, explodisse por causa de uma ação terrorista. Eu detestava a ideia de estar à mercê de alguém que simplesmente aterrorizava as pessoas, sem motivo algum. Era essa a definição que eu tinha de "terrorista", ocupação de Osama Bin Laden.

Somente algum tempo depois que eu soube que os "terroristas" tinham uma motivação política ou religiosa (o que não diminui suas imbecilidades). Hoje o medo, o quase pânico de uma ação terrorista já não existem mais. Deram lugar à tristeza de pensar que não existe lugar tranquilo o suficiente para estar longe do alcance de um psicopata.

A tragédia ocorrida na escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, foi das mais chocantes já vistas no país. E choca ainda mais se formos inocentes o suficiente para pensarmos que isso é coisa de Estados Unidos. Ledo engano de quem não lembra de Mateus da Costa Meira, estudante de medicina que invadiu um cinema em São Paulo e atirou a esmo na plateia, matando três pessoas.

Preocupação quanto à própria segurança é uma ideia que sequer passa pela nossa cabeça quando estamos em um cinema ou numa escola. Vamos à escola (em tese, diga-se de passagem) para aprendermos, para sermos educados. Vamos ao cinema para relaxar, namorar, desestressar, esquecer dos problemas - muitas vezes adquiridos na própria escola. E se perguntarmos "o que é mais grave: o atentado no cinema ou na escola?", ficaremos sem resposta, tamanha é a estupidez de quem comete o atentado.

E até que ponto esses atentados são uma questão de segurança? Digo isto porque é errôneo pensar "caramba, nem no cinema temos tranquilidade" ou "meus filhos não estão seguros na escola". Não dá para exigir uma viatura da polícia em cada sala de cinema ou no pátio de cada escola. No momento que isso for exigido, a humanidade estará definitivamente perdida. A liberdade será um artigo extinto. Não se irá até a padaria da esquina sem que se desconfie da própria sombra, e aí estaremos completamente sem conserto.

A crueldade do psicopata, nesses casos, é o último ato de uma peça triste. Para chegar lá, uma arma foi parar nas mãos de um psicopata. Wellington Menezes de Oliveira, dizem, portava equipamentos que facilitavam o recarregamento das duas armas que tinha em mãos, e operava tudo com destreza. E bastam algumas perguntas para denunciar a falha clamorosa na segurança: como um sujeito desses soube manejar tão bem o equipamento? Como conseguiu as armas? Como alguém é capaz de armar e treinar alguém sem desconfiar que esse alguém é capaz de cometer uma loucura?

Como se não bastasse o ato em si, a imprensa impõe sua inexplicável mania de explorar a dor. Bota a câmera na frente de crianças sobreviventes, pais e testemnunhas a explicar, aos prantos, tudo o que ocorreu e o que sentem. Acabou? Que nada. Buscam uma explicação, resolvem estudar o psicopata. Wellington é filho adotivo, sua mãe biológica era esquizofrênica. Se isso explica, então que parem todos os processos de adoção ao redor do mundo. Que se comece inclusive uma campanha contra a adoção. Que se esterilizem pessoas que demonstrem algo de esquizofrênico.

Wellington não é mais caso para psiquiatras. É caso, se muito, para médiuns. Já está morto. E que se prepare: o problema dele está apenas começando.

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