segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pena de morte a gays na Uganda

Hoje o Fantástico apresentou uma reportagem sobre um projeto de lei que torna o homossexualismo um crime passível de pena de morte. Olha a bagaça aí.

Não vou sair dizendo que é ignorância, pobreza de espírito ou cúmulo de intolerância, afinal dizer isso é cair no óbvio. A questão que me veio à mente quando vi a reportagem foi: qual a reação da comunidade internacional diante dessa cagada homérica a céu aberto?

Barack Obama criticou abertamente a proposta, enquanto alguns países europeus estudam sanções ao país africano. Pergunto-me que sanções são passíveis de aplicação em um país cuja taxa de analfabetismo beira os 35%; a mortalidade infantil é de quase 77 crianças a cada mil nascimentos; um país onde a esperança de vida é de 51 anos. Aplicar sanções a um país desses é como chutar cachorro morto, não?

Ao mesmo passo, uma intervenção externa causaria tanta polêmica quanto o próprio projeto. Mas enfim, divago. Tou fugindo da minha ideia inicial.

Quando vi a reportagem, pensei instantaneamente em qual seria o posicionamento do Papa diante do negócio. Note-se que, em discussão, há dois tabus para a Igreja: a pena de morte e o homossexualismo. Uganda utilizaria o primeiro ao segundo (deve-se destacar que não seria o primeiro país do mundo a fazer isso).

O fato é que eu fiquei chateado por concluir o óbvio.

Um hipotético posicionamento da Igreja - que no momento vê-se mais ocupada com seus casos de pedofilia do que com qualquer outra coisa - seria simples: uma mera declaração de Joseph Ratzinger contra a tão condenável pena de morte. Quase consigo ouvir um jornalista narrar a notícia:

"O Papa Bento XVI criticou a aprovação da pena de morte a homossexuais na Uganda. O pontífice afirmou que a condenação à morte é um crime aos olhos de Deus."

Desse modo, a Igreja manifesta-se sobre o fato; mas, concomitantemente, sem dizer coisa alguma; nada de validade. Tal posicionamento não traria nenhum benefício ao movimento homossexual, tampouco prejuízo. Por mais que Uganda revisse sua atitude com relação à lei (e considero esta possibilidade absolutamente utópica), os homossexuais do país continuariam entregues à própria sorte, reféns da ignorância ugandense.

Seria uma declaração leviana, inútil e totalmente descartável. Reflexo claro de uma Igreja que, cada vez mais, revela-se leviana, inútil e, quiçá, até descartável.

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